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 Porto de Pesca Costeira - Por Paulo Magalhães

Porto de Pesca Costeira - Por Paulo Magalhães
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POR RICARDO PAULO
You´ll never walk alone

Todos os amantes de futebol sabem a importância que os adeptos têm para um clube. Cada vez mais, treinadores, dirigentes e jogadores, apelam aos adeptos para comparecerem nos jogos por forma a apoiar a sua equipa. Um dos maiores exemplos do sucesso resultante da união entre adeptos e clube é o Liverpool, cujo estádio é conhecido pelo “inferno de Anfield”. Não foi portanto por acaso que o hino adoptado pelo clube tenha sido a famosa música cantada por vozes como Frank Sinatra, Ray Charles ou Pink Floyd: You'll Never Walk Alone. Sintomático!

Os portos há muito deixaram de atrair somente cargas de proximidade geográfica. Com o desenvolvimento das acessibilidades terrestres, as áreas de influência de um porto alteraram-se significativamente, sendo agora delimitadas pela capacidade de penetração no mercado. Temas como a fluidez de tráfegos, eficiência e intermodalidade ganharam preponderância; mais ainda quando os custos da fatia terrestre do transporte porta-a-porta são geralmente superiores aos da parcela marítima e as principais condicionantes ao seu sucesso se encontram no inland; problemas como congestão dos terminais, adequação da infra-estrutura ferroviária ou disponibilidade de canal são frequentes e podem ditar o sucesso de um serviço e o alargamento do hinterland de um porto.

Além disso, o aumento constante das exigências dos carregadores em termos de frequência, pontualidade, cobertura geográfica e a sua progressiva complexidade levaram armadores e portos a alterar o seu padrão. O sucesso está agora na oferta de serviços integrados porta-a-porta onde o transporte inland e as chamadas “pontas” se tornam cada vez mais importantes no ganho de competitividade de um porto.

Como na maioria dos casos, as grandes multinacionais são as que assumem a dianteira. Os grandes armadores foram os primeiros a alargar a sua área de negócio e a apostar na oferta de produtos de logística integrada e de serviços porta-a-porta. Empresas que tradicionalmente se preocupavam apenas com o transporte de mercadorias de um porto para outro são agora operadores logísticos perfeitamente integrados, oferecendo serviços just-in-time e operações de mais-valia à carga, incluindo mesmo a gestão de sistemas de informação e da cadeia de abastecimento.

Não deixa de ser curioso verificar que nem todos optaram pela mesma via: alguns armadores preferiram criar empresas dentro do grupo por forma a controlar todo o negócio, desde o transporte marítimo até aos meios terrestres, passando pela operação portuária; outros há que, por operarem em mercados muitos específicos como o short sea, optaram por manter-se no negócio do shipping tentando aumentar o networking com operadores logísticos locais na comercialização dos seus serviços; por último, existe um grupo que combina uma estratégia de investimentos selectivos em áreas consideradas chave, subcontratando os serviços para os quais não estão vocacionados. Neste caso, o armador não é dono dos meios de transporte terrestres, preferindo realizar contratos de longa duração com operadores muito específicos que cubram as suas necessidades.

Seja qual for o caso, um porto deve adaptar-se às várias realidades por forma a responder ao que os seus clientes lhe impõem, devendo estar ciente que não existe uma solução standard. O mais importante é perceber que além da concorrência entre infra-estruturas, existe agora uma concorrência entre cadeias logísticas cuja qualidade e sucesso dependem do comportamento, da coordenação e da união entre os vários actores. Tal como em Liverpool, que a música inspire os portos: you will never walk alone!

POR RICARDO PAULO

Artigo publicado originalmente no "Diário de Aveiro". Leia o artigo em pdf

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Data: 2012-09-19

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